Entre o observador e o integrante da escola de samba: os não-humanos e as transformações durante uma pesquisa de campo



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César Tureta
Rafael Alcadipani

Resumo

Nosso objetivo neste artigo é problematizar a fronteira entre a observação participante e a não participante nas pesquisas organizacionais etnográficas, considerando que além de fluida ela nem sempre é controlável na prática de pesquisa. Nesse sentido, a participação direta do pesquisador pode ser algo inevitável e ele pode passar de mero observador, com pequeno grau de participação, a participante diligente das atividades exercidas pelos pesquisados. Utilizaremos como exemplificação a experiência de campo de um dos autores em pesquisa de cunho etnográfico realizada em uma escola de samba do grupo especial da cidade de São Paulo. Partindo das ideias pós-humanistas, que assumem que o mundo social não se limita a interações humanas, mas coexiste com elementos não-humanos, discutimos como o pesquisador, inicialmente observador não-participante, acabou transformando-se em observador participante e membro ativo da organização estudada, por meio da mediação de tais elementos. Concluímos que os não-humanos possuem influência significativa na prática da pesquisa de campo e podem gerar transformações em: (a) mecanismo de observação; (b) coleta de dados e (c) figura do pesquisador. Essas transformações indicam que os pesquisadores da área de administração deveriam considerar com mais atenção a participação desses elementos na prática da pesquisa.

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Como Citar
Tureta, C., & Alcadipani, R. (1). Entre o observador e o integrante da escola de samba: os não-humanos e as transformações durante uma pesquisa de campo. Revista De Administração Contemporânea, 15(2), 209-227. https://doi.org/10.1590/S1415-65552011000200004
Seção
Artigos