Cooperação Cooperativa: o Ser, o Fazer e o Devir



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Susana Iglesias Webering

Resumo

Contexto: a consolidação de um sistema econômico baseado na competição não eliminou a importância da cooperação para a vida em sociedade, nem impediu que organizações cooperativas continuassem emergindo, mesmo em um ambiente hostil. Por que continuam emergindo? Quais as suas possibilidades? O que acontece quando se desenvolvem? Objetivo: compreender, em termos teóricos, o fenômeno da cooperação, especialmente aquela que inspira organizações cooperativas. Metodologia: a pesquisa empreendeu uma concepção sistêmica e complexa do fenômeno da cooperação e do seu objeto de estudo, desenvolvendo uma discussão qualitativa, interpretativa e reflexiva em três eixos: o ser, o fazer e o devir. Resultados: cooperativas, como organizações humanas, passam por um processo evolutivo, sofrendo os problemas próprios da administração e manutenção da democracia. Para enfrentar o processo degenerativo é preciso repensar a gestão cooperativa com base em teorias sistêmicas e autorreforçantes da identidade cooperativa. Conclusão: a cooperação é fundamental para a vida em sociedade, o que explica o fato de cooperativas continuarem emergindo. Ao contrário do que se disseminou, não somos apenas competitivos, somos também cooperativos e nosso conhecimento precisa ser urgentemente reconstruído.



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Webering, S. I. (2020). Cooperação Cooperativa: o Ser, o Fazer e o Devir. Revista De Administração Contemporânea, 24(6), 567-581. https://doi.org/10.1590/1982-7849rac2020190332
Seção
Artigos

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