O lugar do lugar na análise organizacional



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Peter Spink

Resumo

A construção do poder local, a disputa pelos arranjos de governança dos espaços dentro dos quais se organiza a vida de muitas pessoas, é um longo processo sócio-histórico. No Brasil, estimuladas pelos avanços da Constituição de 1988, expressões como orçamento participativo, inversão de prioridades, gestão democrática e governo popular, usadas inicialmente por governos de perfil de esquerda, mas depois também pelos de centro-esquerda e de centro, são cada vez mais freqüentes em encontros e debates sobre a ação pública em âmbito local. Tais expressões demonstram a viabilidade de outra prática administrativa, voltada para os direitos individuais e coletivos. Local não é necessariamente sinônimo de municipal. Numa série de encontros recentes sobre a temática da redução da pobreza, a palavra que emergiu como mais adequada para aludir a esse espaço de ação é lugar, um horizonte de ligações, de produção de sentido e de lutas, que pode ser submunicipal, municipal, intermunicipal ou microrregional. Para a teoria organizacional, o foco no lugar como espaço de ação evidencia uma série de questões pouco abordadas. Este trabalho busca uma aproximação inicial com essa temática, para demonstrar seu potencial na reelaboração do fenômeno organizacional como um todo.

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Como Citar
Spink, P. (2018). O lugar do lugar na análise organizacional. Revista De Administração Contemporânea, 5(spe), 11-34. https://doi.org/10.1590/S1415-65552001000500002
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Peter Spink, Universidade de Londres

Ph.D. em Psicologia Organizacional pela Universidade de Londres, UK. Professor Titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas e Coordenador do Programa de Gestão Pública e Cidadania. Suas áreas de interesse em pesquisa são estudos de mudança organizacional e social na área pública e privada, novos formas de organização de serviços públicos, pobreza e desigualdade social, relações interorganizacionais na ação social.