Transmissão do Conhecimento Prático como Intencionalidade Incorporada: Etnografia numa Doceria Artesanal



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Marina Dantas de Figueiredo
Neusa Rolita Cavedon

Resumo

Neste artigo, assumimos que a relação dos praticantes com aquilo que se pode chamar de contexto faz surgir a necessidade de problematizar as origens e os mecanismos de manutenção das práticas e das comunidades de prática. Tendo por base os dados de pesquisa etnográfica em uma fábrica de doces em Pelotas, Rio Grande do Sul, buscamos mostrar como a transmissão de um saber-fazer artesanal é fruto de uma intencionalidade incorporada. A partir das vivências e observações sobre as relações entre uma mestra doceira e seus funcionários, percebemos que o processo de transmissão do saber-fazer característico dessa prática artesanal está condicionado a certa intencionalidade incorporada, associada a questões de gênero, etnia e trajetória de vida. Identificamos que, muito embora a prática em questão oriente um sistema produtivo relativamente simples, o fato de a maior parte das pessoas envolvidas não alcançar o domínio pleno sobre o saber-fazer que a norteia sinaliza que as relações de transmissão desse saber incorporado envolvem questões mais complexas do que a disposição ou o interesse para ensinar ou aprender uma prática.

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Como Citar
Figueiredo, M. D. de, & Cavedon, N. R. (1). Transmissão do Conhecimento Prático como Intencionalidade Incorporada: Etnografia numa Doceria Artesanal. Revista De Administração Contemporânea, 19(3), 336-354. https://doi.org/10.1590/1982-7849rac20151796
Seção
Artigos