Empresas familiares impulsionam o crescimento econômico global e o emprego. O Global Family Business Index, publicado pela Forbes.com, com o apoio da St. Gallen University e da EY, destaca o importante papel que as 500 principais empresas familiares desempenham na economia mundial. A título de ilustração, em 2013, as 500 maiores empresas familiares empregavam 21 milhões de pessoas – mais de dois terços de suas contrapartes de empresas não familiares, e geraram US $ 6,5 milhões para o PIB global (Bain, 2015).

Elas também representam um terço das empresas nos EUA e 40% das empresas alemãs e francesas, tendo um papel ainda mais relevante nos mercados emergentes, respondendo por 55% das grandes empresas da Índia e do Sudeste Asiático, e por 60% do PIB da América Latina (Bhalla, Orglmeister, & Tong, 2016). Em países de economia emergente, as empresas familiares são responsáveis por mais de 50% das maiores empresas, com taxas de crescimento maiores do que as de empresas não familiares, embora às custas de menor rentabilidade com aspectos regulatórios, institucionais e questões culturais exercendo um papel importante (Bhalla et al., 2016).

Conflitos de interesse entre membros da família no estágio de transição, ou mesmo entre proprietários e gerentes, são alguns dos desafios enfrentados por esse tipo de organização. E, dado o fato de que 40% das empresas familiares não possuem um plano de sucessão, e apenas 12% dessas empresas sobrevivem após a terceira geração (PwC Global, 2016), uma edição especial sobre Governança Corporativa em Empresas Familiares é uma oportunidade de pesquisa relevante para acadêmicos em diferentes campos de pesquisa em Administração.

Esta edição tem por objetivo contribuir para o debate sobre novas estratégias e políticas voltadas à Governança Corporativa em Empresas Familiares com uma perspectiva multidisciplinar, incluindo estudos envolvendo dimensões de comportamento organizacional, empreendedorismo, contabilidade, finanças e estratégia de Empresas Familiares. Dada a natureza dos problemas ao redor da governança de empresas familiares, sejam elas listadas ou não, a Revista de Administração Contemporânea (RAC), em colaboração com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), convida à submissão artigos e casos que discutam o papel das empresas familiares, vistas como organizações sociais e sustentáveis, e seus desafios de governança corporativa. Serão apreciados estudos de natureza quantitativa e/ou qualitativa, bem como o uso e a integração de diferentes perspectivas teóricas, tais como: teoria da agência, teoria dos stakeholders, teoria da dependência de recursos, entre outros.