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Tomás de Aquino Guimarães

Resumo

Neste número a RAC oferece aos seus leitores quatro seções, contendo textos que tanto disseminam o conhecimento em Administração no Brasil, como contribuem para a sua construção.

Na Seção Artigos, inicialmente Kelmara Mendes Vieira e Jairo Laser Procianoy analisam reações de investidores a decisões de empresas de capital aberto de concederem bonificações e de desdobrarem ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo. Na seqüência, Pedro Lincoln de Mattos, apoiado no pensamento de Wittgenstein, busca uma interpretação conceitual que auxilie a entender melhor as diferenças entre a produção acadêmica e a literatura do mercado de consultoria em Administração. Tal tema o conduz a refletir também sobre o uso da teoria administrativa nas escolas e em situações de treinamento. No terceiro artigo, Lúcio Flávio Renault de Moraes, Antonio Del Maestro Filho e Devanir Vieira Dias procuram resgatar e entender o elo de ligação existente entre o pensamento de Weber a respeito da burocracia e a teoria das organizações ocidentais, construída sob o ethos do capitalismo. Para tanto, abordam no trabalho a sociologia compreensiva da ação social e as características positivas e negativas da burocracia, enfatizando a dominação ideológica do capitalismo e seu reforço cada vez maior em programas de treinamento e desenvolvimento nas empresas. Logo após, Maria Luísa Mendes Teixeira e Silvio Popadiuk identificam e discutem o papel das expectativas de empregados quanto ao comportamento de seus líderes em relações de confiança, no que se refere à promoção de condições para o desenvolvimento do capital intelectual nas organizações. Os resultados encontrados em seu estudo permitem evidenciar que os liderados monitoram o comportamento dos seus líderes com relação à confiança existente entre eles, conforme dimensões de respeito, honestidade e crédito no empregado, revelando que o gerenciamento da confiança admite uma perspectiva de interdependência, que deve ser considerada ao se desenvolver o capital intelectual nas organizações. Luiz Carlos Miranda, Cláudio de Araújo Wanderley e Juliana Matos de Meira apresentam os resultados de um estudo realizado em uma empresa prestadora de serviços, no qual comparam os modelos gerenciais de Gestão Baseada em Atividades e de Sistema de Informação de Gestão Econômica, destacando as semelhanças e diferenças entre eles. Os autores concluem que a principal semelhança relaciona-se à busca da melhoria dos processos internos por meio do gerenciamento das atividades, e a diferença encontra-se no foco do modelo de Gestão Baseada em Atividades na cadeia de valor e na ênfase do Sistema de Informação de Gestão Econômica na apuração do lucro econômico por meio da definição de uma série de critérios de avaliação de aspectos financeiros, contábeis e econômicos. Em seguida, Simone Bacellar Leal Ferreira e Julio Cesar do Prado Leite discutem a usabilidade de sistemas de informação e mostram, por meio da análise de um site de comércio eletrônico, requisitos não funcionais de apoio a sistemas de informação que devem estar presentes no projeto de interface de software. Segundo eles, a necessidade de informação qualificada e de boa usabilidade torna a interface com o usuário parte fundamental dos sistemas de informação e, assim, ela deve ser de fácil utilização e atender as expectativas e necessidades dos ususários. No último artigo da seção, Sérgio Loureiro Rezende apresenta uma proposta de análise de processos de internacionalização de empresas, baseada em conceitos da literatura sobre entrada em mercados internacionais, internacionalização e desenvolvimento de subsidiárias. Ele sugere ainda três implicações para a realização de futuros estudos empíricos sobre o tema: analisar os processos de internacionalização de empresas a partir de relacionamentos intra e interorganizacionais inseridos em contextos espaciais e temporais distintos; levar em consideração processos de internacionalização descontínuos, e não apenas incrementais; abranger seqüências que ocorrem no mercado estrangeiro no qual o modo de operação é inicialmente inserido, bem como naqueles que são atingidos a partir do primeiro mercado.

A Seção Documentos e Debates apresenta texto de Jairo Eduardo Borges-Andrade, no qual ele discute o conceito de linha de pesquisa, comparando-o com os de área de concentração e de projeto de pesquisa. Este texto é comentado por Jaime Evaldo Fernsterseifer e Paulo Rogério Meira Menandro, recebendo, na seqüência, novos comentários do seu autor.

Na Seção Casos em Administração, Kleber Fossati Figueiredo e Claudia Araújo descrevem, em um caso de ensino recomendado para uso em programas de mestrado e de formação executiva, como o Hospital Mãe de Deus, por meio de ações visando a motivação e a disseminação dos seus valores junto a seus funcionários, desenvolveu um padrão de excelência na prestação de serviços.

Na Seção Resenhas Bibliográficas, Katia Puente-Palacios comenta o livro Multilevel Theory, Research, and Methods in Organizations: Foundations, Extensions, and New Directions, editado por Katherine J. Klein e Steve W. J. Kozlowski, e publicado nos Estados Unidos pela Jossey-Bass. Em seguida, Valter Vieira revisa o livro Managing Services Marketing: Text and Readings, de autoria de John E. G. Bateson e K. Douglas Hoffman, publicado nos Estados Unidos pela Hardcover.

Por fim, a Seção Notas Bibliográficas apresenta comentários de Clóvis L. Machado-da-Silva sobre os livros The Sociology of Organizations: Classic, Contemporary, and Critical Readings, editado por Michael J. Handel; Organizations: Rational, Natural, and Open Systems, de W. Richard Scott; Qualitative Research & Evaluation Methods, de Michael Quinn Patton; e Organizations, Policy, and the Natural Environment: Institutional and Strategic Perspectives, editado por Andrew J. Hoffman e Marc J. Ventresca.

Comentários, críticas e sugestões dos leitores são bem-vindos.



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Como Citar
Guimarães, T. de A. (1). Editorial. Revista De Administração Contemporânea, 7(2), 1-2. https://doi.org/10.1590/S1415-65552003000200001
Seção
Editorial