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Rogério H Quintella

Resumo

Esta primeira edição da RAC em 2011 marca o décimo-quinto ano de funcionamento da Revista. Trata-se de um resultado significativo para toda a academia de administração e contabilidade no Brasil. Certamente temos uma edição digna de um momento tão cheio de significados.

Se 2010 foi um dos anos de maior crescimento econômico do País, um dos setores com maior responsabilidade sobre esse crescimento foi o da Construção Civil. Os dois primeiros artigos desta edição tratam desta indústria. No primeiro deles, A Gestão do Desenvolvimento de Produtos na Indústria de Materiais de Construção, Daniela Dutra da Costa e Paulo Tromboni de Souza Nascimento focam duas empresas líderes na indústria de componentes para construção, e buscam identificar o grau de formalização, as etapas da gestão do desenvolvimento de produtos e as práticas a ela relacionadas. Constatam os autores um conjunto de práticas atualizadas, além de processos e estruturas formais e organizados. Segundo eles, as duas empresas realizam o lançamento interno do produto, distinguindo-se, porém, pela forma como isso é feito, o que não é tratado na literatura. Os autores encontram ainda uma série de outras práticas, algumas mencionadas na literatura e outras não.

Os quatro artigos seguintes tratam de questões distintas, porém todas abordadas a partir da análise de redes, a começar por Relacionamentos Interorganizacionais e Resultados: Estudo em Uma Rede de Cooperação Horizontal da Região Central do Paraná, de autoria de Marcos de Castro, Sergio Bulgacov e Valmir Emil Hoffmann. Neste trabalho, a partir de uma lacuna percebida na literatura por seus autores, busca-se analisar os resultados gerados por uma rede interorganizacional de cooperação do segmento varejista de materiais de construção. Marcos, Sergio e Valmir buscaram compreender os elementos motivadores, bem como os dificultadores e facilitadores da iniciativa e, em seguida, levantar os seus resultados e verificar de que forma estes se relacionam com aqueles fatores. "As evidências indicam que o principal dificultador foi o baixo nível de cooperação e a alta competição entre as empresas participantes. No que tange aos resultados dos relacionamentos, constata-se que os fatores motivadores não encontram correspondência, quando em confronto com os resultados dos relacionamentos. Evidencia-se, ainda, uma aparente correlação positiva entre o fator dificultador relacionado à cooperação e à competição com o fato de as ações da associação não produzirem os efeitos esperados".

Na sequência, Sabrina do Nascimento e Ilse Maria Beuren nos apresentam Redes Sociais na Produção Científica dos Programas de Pós-Gradução de Ciências Contábeis do Brasil. Este estudo objetiva identificar a formação de redes sociais na produção científica do triênio 2007-2009 dos programas de pós-graduação de ciências contábeis do Brasil, considerando os 199 docentes permanentes de 21 cursos de mestrado e doutorado dos programas de pós-graduação em ciências contábeis, distribuídos em 17 instituições de ensino superior. "Os resultados da pesquisa mostram que a evolução da produção científica definitiva, no triênio 2007-2009, em termos percentuais foi maior nos programas com conceito 3; que a produção científica definitiva veiculada em periódicos pelos docentes permanentes dos programas analisados apresenta-se de forma dispersa nas estratificações do Qualis CAPES"; e que os programas de pós-graduação em ciências contábeis apresentam ligações fracas e redes pouco densas.

O terceiro artigo com abordagem de redes é intitulado Redes Interorganizacionais Horizontais Vistas como Sistemas Adaptativos Complexos Coevolutivos: o Caso de uma Rede de Supermercados, de Aline Lourenço de Oliveira, Daniel Carvalho de Rezende e Cleber Castro de Carvalho. Este trabalho utiliza-se dos preceitos de sistemas adaptativos complexos (SACs) e da coevolução. O objetivo do estudo é identificar características básicas de um sistema adaptativo complexo, presentes em uma rede de supermercados do sul de Minas Gerais.

O quarto artigo baseado em redes é o quinto desta edição - Repensando Redes Estratégicas, de Alexandre Faria. Para o autor, a disputa política com a área de estudos organizacionais (EO) pela liderança em pesquisa e ensino em administração, iniciada nos anos 1960 nos Estados Unidos, e a proliferação de escolas de pensamento nos anos 1980 resultaram em questionamentos acerca da relevância da área de estratégia. Para Alexandre "A globalização neoliberal e seus discursos impulsionaram a construção da relevância da área por meio de crescente especialização e internacionalização, mas questões de poder e política continuam sendo desprezadas pela literatura dominante". A análise do autor mostra que "pesquisas em redes estratégicas em economias emergentes devem contemplar questões de poder e política, sob uma perspectiva crítica que desafia assimetrias acentuadas pelo avanço do neoliberalismo, para produzir conhecimento relevante para estrategistas de empresas e do governo e para a sociedade".

A seguir, Ana Maria dos Santos Carnasciali e Luciene Stamato Delazari apresentam seu artigo denominado A Localização Geográfica como Recurso Organizacional: Utilização de Sistemas Especialistas para Subsidiar a Tomada de Decisão Locacional do Setor Bancário. Para Ana Maria e Luciene a localização geográfica de um ponto comercial constitui um "recurso físico que, somado aos recursos financeiros, de capital humano, organizacional, reputação e tecnológico podem levar a organização a uma condição ímpar em relação aos concorrentes". O que elas fazem neste trabalho é a integração de um Sistema de Informações Geográficas e um Sistema Especialista, a fim de subsidiar a tomada de decisões com relação à escolha da melhor localização para a abertura de uma agência bancária. Partindo da visão baseada em recursos, mediante a valorização de ações, como identificar, desenvolver e desdobrar recursos-chave, foi realizada uma análise dos imóveis prospectados em termos de vantagem competitiva.

O artigo seguinte, de Regina Madalozzo é intitulado CEOs e Composição do Conselho de Administração: a Falta de Identificação Pode Ser Motivo para Existência de Teto de Vidro para Mulheres no Brasil?

Para Regina o aumento significante da participação feminina na força de trabalho não impediu que permanecessem as diferenças com relação aos salários e à igualdade de tratamento nas promoções com relação ao gênero. Neste trabalho, a autora utilizou uma base de dados inédita referente a 370 empresas, possibilitando a investigação da existência de "teto de vidro para as mulheres no Brasil". Utilizando metodologia baseada em probit concluiu-se neste estudo que existe uma relação entre a dificuldade da promoção de mulheres e a existência de um Conselho de Administração para a mesma e que o Conselho de Administração busca escolher um CEO que represente ao máximo seu próprio perfil.

Por fim temos um interessantíssimo artigo de Charles Kirschbaum e Tatiana Iwai - Teoria dos Jogos e Microssociologia: Avenidas de Colaboração. "Esse artigo explora as possíveis avenidas de colaboração entre a TJ e a Microssociologia. Recuperamos nesse artigo as vertentes sociológicas que reconhecem o enraizamento social da escolha racional, principalmente na utilização da comunicação e linguagem. Argumentamos que a construção de experimentos econômicos que envolvam dilemas sociais, mas que são permeados por momentos de comunicação entre os atores, permite a geração de material passível de análise qualitativa, sob a perspectiva de quadros interpretativos, (Goffman) e convenções (Boltanski e Thevenot) e interação com atores não-humanos (Latour)".

Na seção de Casos de Ensino em Administração, temos o caso intitulado Cordilheira de Santana de Astor Eugênio Hexsel, Roberto Costa Fachin, Eduardo Wilk, Deonir de Toni e Rosana Thomé. O caso "foi escrito com o objetivo de contribuir para o entendimento da formulação estratégica no setor vinícola, focando o caso de uma empresa nascente, com ambições de crescer com vinhos finos no estrato superior do setor, com preços calculados de acordo com essa ambição, mas que não está alcançando os resultados esperados".

Na seção de Resenhas Bibliográficas, temos Gestão de Idéias para Inovação Contínua, de José Carlos Barbieri, Antonio Carlos Teixeira Álvares e Jorge Emanuel Reis Cajazeira por Ligia Fiedler, além de Inovação, Estratégias e Comunidades de Conhecimento, de Marly Monteiro de Carvalho por Edimeri Frá.

Por fim, nas Notas Bibliográficas, temos Inovação Tecnológica: Como Garantir a Modernidade do Negócio - De Ronald Carreteiro por Karl Stoeckl e Gestão da Inovação: Conceitos, Métricas e Experiências de Empresas no Brasil - De Paulo N. Figueiredo, por Eden Lopes Feldman.

A todos, boa leitura!



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Como Citar
Quintella, R. H. (1). Editorial. Revista De Administração Contemporânea, 15(1), 1-3. https://doi.org/10.1590/S1415-65552011000100001
Seção
Editorial