A percepção de justiça como antecedente do comprometimento organizacional: um estudo luso-brasileiro



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Arménio Rego
Solange Souto

Resumo

O estudo visa mostrar como as percepções de justiça explicam o comprometimento organizacional (afetivo, normativo e instrumental). Inquiriram-se 229 membros de organizações brasileiras e 236 de organizações portuguesas. Os dados sugerem o seguinte: (1) o modelo de quatro dimensões de justiça (distributiva, procedimental, interpessoal e informacional) denota valia psicométrica superior ao de três dimensões, no qual as vertentes interpessoal e informacional são agrupadas numa mesma dimensão interaccional; (2) as percepções de justiça explicam entre 23% (Portugal) e 28% (Brasil) do comprometimento afetivo, entre 15% (Brasil) e 37% (Portugal) do normativo, e entre 1% (Brasil) e 6% (Portugal) do instrumental; (3) as vertentes de justiça mais pertinentes para a explicação do laço afetivo são a procedimental e a interpessoal; (4) o laço normativo tende a ser explicado pelas facetas distributiva, procedimental e informacional da justiça; (5) globalmente, quando se sentem tratadas com justiça, as pessoas tendem a denotar mais fortes laços afetivos e normativos, e menores índices de comprometimento instrumental; (6) estas tendências são, em geral, aplicáveis às duas amostras; (7) a compreensão do comprometimento organizacional é mais proveitosa quando se estudam os diferentes modos como as pessoas combinam os laços afetivo, normativo e instrumental. O estudo ajuda a compreender as razões pelas quais as pessoas se comprometem psicologicamente com as suas organizações. Seu valor torna-se maior pelo fato de combinar dados de duas culturas diferentes.

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Detalhes do artigo

Como Citar
Rego, A., & Souto, S. (1). A percepção de justiça como antecedente do comprometimento organizacional: um estudo luso-brasileiro. Revista De Administração Contemporânea, 8(1), 151-177. https://doi.org/10.1590/S1415-65552004000100008
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Arménio Rego, Universidade Técnica de Lisboa

Doutor em Organização e Gestão de Empresas e Mestre em Ciências Empresariais pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e possui licenciatura em Gestão e Administração Pública pela Universidade Técnica de Lisboa. É professor na Universidade de Aveiro. Suas áreas de interesse em pesquisa são liderança nas organizações, comunicação nas organizações, liderança de reuniões, comportamentos de cidadania nas organizações, justiça organizacional, comportamentos de cidadania docente, comprometimento organizacional.

Solange Souto, Fundação Getúlio Vargas

Mestre em Psicologia Social pela Fundação Getúlio Vargas - FGV/RJ e bacharel em Psicologia e psicóloga pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e possui Licenciatura Plena em Psicologia pela Universidade Federal do Rio deJaneiro (UFRJ). É professora assistente do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais do Rio de Janeiro (IBMEC/RJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Suas áreas de interesse em pesquisa são liderança nas organizações, comunicação nas organizações, comportamentos de cidadania nas organizações, justiça organizacional, cultura organizacional, comprometimento organizacional e gestão de pessoas nas organizações.