Remuneração dos Executivos e Desempenho em Empresas Brasileiras Familiares e Não Familiares



Artigo principal Conteúdo

Ilse Maria Beuren
Edgar Pamplona
Maurício Leite

Resumo

Objetivo: com o intuito de produzir novos insights acerca dos efeitos da remuneração dos executivos nas empresas, investiga-se a relação da remuneração dos executivos com o desempenho (curto prazo) e a política de investimentos (longo prazo) em empresas brasileiras familiares e não familiares listadas na Brasil, Bolsa, Balcão (B3). Métodos: pesquisa de procedimento documental foi realizada com dados da Economática® e de relatórios das empresas (Relatório da Administração, Formulário de Referência e Notas Explicativas). A amostra de 87 empresas compõe-se de 48 familiares e 39 não familiares. Resultados: indicam que a remuneração variável de curto prazo apresenta relação com desempenho e política de investimentos das empresas, enquanto a remuneração variável de longo prazo não apresentou significância. A remuneração variável de curto prazo revela potencial para maximizar o desempenho das empresas, com impacto mais forte nas não familiares. Em face à política de investimentos, a remuneração variável de curto prazo apresenta relação negativa, mas este efeito é revertido para as empresas não familiares. Conclusão: a remuneração dos executivos pode ser um mecanismo de governança para alinhar os interesses das partes, tanto em empresas familiares como em não familiares. Todavia, seu dimensionamento preciso deve considerar o tipo de propriedade e gestão corporativa.



Histórico de Downloads

Não há dados estatísticos.


Detalhes do artigo

Como Citar
Beuren, I. M., Pamplona, E., & Leite, M. (2020). Remuneração dos Executivos e Desempenho em Empresas Brasileiras Familiares e Não Familiares. Revista De Administração Contemporânea, 24(6), 514-531. https://doi.org/10.1590/1982-7849rac2020190191
Seção
Artigos

Referências

Abowd, J. M., & Kaplan, D. S. (1999). Executive compensation: Six questions that need answering. Journal of Economic Perspectives, 13(4), 145-168. Retrieved from: https://www.jstor.org/stable/2647017?seq=1
Aggarwal, R., & Ghosh, A. (2015). Director’s remuneration and correlation on firm’s performance. International Journal of Law and Management, 57(5), 373-399. https://doi.org/10.1108/IJLMA-08-2011-0006
Alregab, H. (2015). CEO pay: The role of performance governance and political connection (Doctoral dissertation), University of Leicester, Laicester, England.
Anderson, R. C., & Reeb, D. M. (2003). Founding-family ownership and firm performance evidence from the S&P 500. The Journal of Finance, 58(3), 1301-1328. https://doi.org/10.1111/1540-6261.00567
Beuren, I. M., Silva, M. Z., & Mazzioni, S. (2014). Remuneração dos executivos versus desempenho das empresas. Revista de Administração FACES Journal, 13(2), 8-25. https://doi.org/10.21714/1984-6975FACES2014V13N2ART1556
Chen, L. Y., Chen, Y. F., & Yang, S. Y. (2017). Managerial incentives and R&D investments: The moderating effect of the directors’ and officers’ liability insurance. The North American Journal of Economics and Finance, 39(1), 210-222. https://doi.org/10.1016/j.najef.2016.10.007
Cheng, Q. (2014). Family firm research–A review. China Journal of Accounting Research, 7(3), 149-163. https://doi.org/10.1016/j.cjar.2014.03.002
Combs, J. G., Penney, C. R., Crook, T. R., & Short, J. (2010). The impact of family representation on CEO compensation. Enterprise Theory and Practice, 34(6), 1125-1144. https://doi.org/10.1111/j.1540-6520.2010.00417.x
Comissão de Valores Mobiliários (2009). Instrução CVM nº 480, de 7 de dezembro de 2009. Retrieved from: http://www.cvm.gov.br/legislacao/instrucoes/inst480.html
Duffhues, P., & Kabir, R. (2008). Is the pay-performance relationship always positive? Evidence from the Netherlands. Journal of Multinational Financial Management, 18(1), 45-60. https://doi.org/10.1016/j.mulfin.2007.02.004
Eisdorfer, A., Giaccotto, C., & White, R. (2013). Capital structure, executive compensation, and investment efficiency. Journal of Banking & Finance, 37(2), 549-562. https://doi.org/10.1016/j.jbankfin.2012.09.011
Fávero, L. P., Belfiore, P., Silva, F. L., & Chan, B. L. (2009). Análise de dados: Modelagem multivariada para tomada de decisões (2nd ed.). Rio de Janeiro: Elsevier.
Flores Júnior, J. E., & Grisci, C. L. I. (2012). Dilemas de pais e filhos no processo sucessório de empresas familiares. Revista de Administração, 47(2), 325-337. http://dx.doi.org/10.1590/S0080-21072012000200012
Freund, J. E., & Simon, G. A. (2000). Estatística aplicada: Economia, Administração e Contabilidade (9th ed.). Porto Alegre: Bookman.
Georgen, M., & Renneboog, L. (2011). Managerial compensation. Journal of Corporate Finance, 17(1), 1068-1077. https://doi.org/10.1016/j.jcorpfin.2011.06.002
Gibbons, R., & Murphy, K. J. (1992). Does executive compensation affect investment? Journal of Applied Corporate Finance, 5(2), 99-109. http://doi.org/10.3386/w4135
Goes, T. H. M., Martins, H. H., & Machado Filho, C. A. P. (2017). Desempenho financeiro de empresas com características familiares: Análise de empresas brasileiras listadas na BM&F. REGE - Revista de Gestão, 24(3), 197-209. Retrieved from: http://www.revistas.usp.br/rege/article/view/134999
Gong, J. J. (2011). Examining shareholder value creation over CEO tenure: A new approach to testing effectiveness of executive compensation. Journal of Management Accounting Research, 23(1), 1-28. https://doi.org/10.2308/jmar-10105
Gregg, P., Machin, S., & Szymanski, S. (1993). The disappearing relationship between directors’ pay and corporate performance. British Journal of Industrial Relations, 31(1), 1-9.  https://doi.org/10.1111/j.1467-8543.1993.tb00377.x
Jensen, M. C., & Meckling, W. H. (1976). Theory of the firm: Managerial behavior, agency costs and ownership structure. Journal of Financial Economics, 3(4), 305-360. https://doi.org/10.1016/0304-405X(76)90026-X
Kato, T., & Kubo, K. (2006). CEO compensation and firm performance in Japan: Evidence from the new panel data on individual CEO pay. Journal of the Japanese and International Economies, 20(1), 1-19. https://doi.org/10.1016/j.jjie.2004.05.003
Kim, H., Kim, H., & Lee, P. M. (2008). Ownership structure and the relationship between financial slack and R&D investments: Evidence from Korean firms. Organization Science, 19(3), 404-418. https://doi.org/10.1287/orsc.1080.0360
Kuo, H-C., Lin, D., Lien, D., Wang, L-H., & Yeh, L-J. (2014). Is there an inverse U-Shaped relationship between pay and performance? North American Journal of Economics and Finance, 28(1), 347-357. https://doi.org/10.1016/j.najef.2014.03.007
La Porta, R., Lopez‐de‐Silanes, F., & Shleifer, A. (1999). Corporate ownership around the world. The Journal of Finance, 54(2), 471-517. https://doi.org/10.1111/0022-1082.00115
Lee, J. (2009). Executive perfomance-based remuneration, performance change and board structures. The International Journal of Accounting, 44(2), 138-162. https://doi.org/10.1016/j.intacc.2009.03.002
Liang, Y., Moroney, R., & Rankin, M. (2018). Say-on-pay judgements: The two-strikes rule and the pay-performance link. Accounting & Finance, 60(Suppl. 1.). https://doi.org/10.1111/acfi.12391
Machado, D. G, & Beuren, I. M. (2015). Política de remuneração de executivos: Um estudo em empresas industriais brasileiras, estadunidenses e inglesas. Gestão & Regionalidade, 31(92), 4-24. https://doi.org/10.13037/gr.vol31n92.2088
McConaughy, D. L. (2000). Family CEOs vs. nonfamily CEOs in the family-controlled firm: An examination of the level and sensitivity of pay to performance. Family Business Review, 13(2), 121-131. https://doi.org/10.1111/j.1741-6248.2000.00121.x
Murphy, K. J. (1999). Executive compensation. In: Ashenfelter, O., & Card, D. (Eds.). Handbook of Labor Economics (Vol. 3, Part. B, pp. 2485-2563). Holland: Elsevier.
Santos, T. R., & Silva, J. O. (2018). A influência da família tem algum efeito? Análise da remuneração dos executivos das empresas familiares e não familiares. Revista Contabilidade e Organizações, 12(1), 1-13. https://doi.org/10.11606/issn.1982-6486.rco.2018.148149
Schmid, T., Achleitner, A. K., Ampenberger, M., & Kaserer, C. (2014). Family firms and R&D behavior–New evidence from a large-scale survey. Research Policy, 43(1), 233-244. https://doi.org/10.1016/j.respol.2013.08.006
Silva, A., Souza, T. R., & Klann, R. C. (2016). Tempestividade da informação contábil em empresas familiares brasileiras. Revista de Administração de Empresas, 56(5), 489-502. https://doi.org/10.1590/s0034-759020160504
Silva, A. L. C., & Chien, A. C. Y. (2013). Remuneração executiva, valor e desempenho das empresas brasileiras listadas. Revista Brasileira de Finanças, 11(4), 481-502. http://doi.org/10.12660/rbfin.v11n4.2013.7224
Subekti, I., & Sumargo, D. K. (2015). Family management, executive compensation and financial performance of Indonesian listed companies. Procedia Social and Behavioral Sciences, 211(1), 578-584. https://doi.org/10.1016/j.sbspro.2015.11.076
Tsao, S. M., Lin, C. H., & Chen, V. Y. (2015). Family ownership as a moderator between R&D investments and CEO compensation. Journal of Business Research, 68(3), 599-606. https://doi.org/10.1016/j.jbusres.2014.09.001
Wet, J. H. (2012). Executive compensation and the EVA and MVA performance of South African listed companies. Southern African Business Review, 16(3), 57-80. Retrieved from: https://www.ajol.info/index.php/sabr/article/view/85467
Yoo, T., & Sung, T. (2015). How outside directors facilitate corporate R&D investment? Evidence from large Korean firms. Journal of Business Research, 68(6), 1251-1260. https://doi.org/10.1016/j.jbusres.2014.11.005